sábado, 30 de agosto de 2025

Malafaia, vá chupar uma rola.

 Hey, senhor pastor!

Vem ver a minha dor

que nasce ao invés de flor

aqui mesmo no meu jardim.


Nasci sem sorte

me resta a morte

pelas mãos que tem o porte.

O estado quer meu fim.


Não rendo dinheiro.

Não sou inteiro. 

Não sou coveiro. 

Sou real do brasileiro.


Quero viver bem 

e ir além 

do que te convém

seu filho da puta. 


Mas o poder

me faz conter 

tudo que posso ser 

escolheram eu morrer.


Um mártir 

para a revolução

poder vencer

viva a aniquilância

E toda a lambança 

com morte de criança.


Senhor pastor

aprecie o horror

largue o seu pudor

e vem ver a verdade.


Vem ver nossa 

falta de esperança.

Vem ouvir os tiros.

De perto.

Vem decidir quem tá certo. 


Eu quero crer

que quando eu crescer

vou ser igual você.

Um vencedor. 


Um influenciador

que em nome do senhor

posso por

um imbecil por motivo vil

no poder.


E só então poderei ser 

não um falido

mas um bem sucedido

ladrão. 


Um filho da puta

que tira da minha mão

para então 

meu neto ser embebido 

de desorientação. 


Hey, pastor! 

sábado, 11 de janeiro de 2025

Despedida

Todo um mundo diferente 

da gente.

Pertinente.

A sensação de ser inconsequente. 

O dente dormente

te atrai.

Sua humanidade se esvai

e sua vontade te trai. 

Te leva embora 

e te joga fora. 

A cada hora

que passa

o dano amassa

tudo que você podia ser

e sem perceber 

você não mais é. 

Sem mais nenhuma fé

em nada. 

Sem chance de recuperação.

Não importa nenhuma ação. 

A sua mão 

não consegue nem mais escrever. 

Quando você vai perceber?

Escolhas da vida. 

Viver na ferida. 

Ferida sem volta

da ida. 

Me despeço

e peço

que me deixem 

descansar em paz. 

Aqui jaz

a sua perturbação. 

A minha mão 

traz a ação

de um pedido de desculpas.

E são muitas.

Por tudo que causei.

O que eu nem mais sei. 

Continuo perdendo tempo

Jogando minha vida no vento. 

Mas não sei como parar.

Preciso me afastar. 

Para não incomodar. 

Tenho que carregar

o peso

de ser sempre o mesmo. 

Que vai te perturbar.

Você é capaz de me perdoar?

Se não quiser, 

tudo bem,

eu entendo.

Sem mais nenhum adendo.

Vou dormir e fingir

que está tudo bem.

Amanhã outro dia vem

e eu vou tentar novamente.

E a gente vai conseguir

ir dormir

bem e tranquilo.

Até o próximo tiro. 

São tantas questões.

Tantas lições

não aprendidas. 

Que se repetem todos os dias. 

Aumentando as feridas. 

A dúvida e a certeza 

estão claras,

em cima da mesa. 

Peço misericórdia comigo 

e empatia com meu comportamento aflito.

E perdão por tudo que estou largando de mão. 





quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Feliz Natal. : )

 Hoje eu estacionei meu carro e fui resolver uma tarefa. Entre fechar o carro e andar até a tarefa, vi uma cena estarrecedora. Dessas que contam por aí como se fosse normal mas que você não acredita e só entende como é quando acontece com você.  Eu me certifiquei que o carro estava trancado e segui meu caminho sempre atento a tudo que acontece ao meu redor, como todo bom carioca. E aí eu vi um senhor de cócoras, de frente para um poste com um saco de mercado usado como lixo por algum morador da região. 


Esse senhor estava pegando um osso de galinha e alguns caroços de arroz e feijão com suas mãos sujas e se alimentando. Claro que a cena chama atenção e a sensação que tive foi de pena. Não, de revolta. Talvez de repulsa? De remorso? Culpa? De gratidão por não ser eu ali? Não sei. Sei que aquela cena me fez sentir diversas sensações e me desencadeou algumas (várias) reflexões. E confesso que me abalou talvez até agora. 


Nisso, como eu estava focado em cumprir minha tarefa, continuei andando, tentando ignorar a realidade ao redor e dando prioridade às minhas próprias necessidades. E ouvi um senhor que estava passando falando, talvez querendo uma afirmação minha ou uma réplica ou sei lá.. Eu apenas ouvi e fingi que não tava ouvindo. Ele disse o seguinte: "Pra você ver a situação desse país. Meu Deus, cuida dessas pessoas necessitadas." (Ou algo do tipo.) Fingi que não ouvi, porque não sou muito chegado a conversas desnecessárias com gente que não conheço e estou em tratamento pra parar de discutir com os outros a toa. 


Segui meu caminho na missão. Mas ainda incomodado com aquela situação que vi. Como pode uma pessoa chegar ao ponto de procurar comida no lixo? Comer restos de alguém que também não deve estar em uma situação tão boa assim. Esse tipo de coisa eu só tinha visto em música. O Bolsonaro disse que ninguém passa fome no Brasil.. Ainda mais na capital do Rio de Janeiro.. Aí pensei em usar meu troco e dar R$10 pro senhor e sugerir que ele comprasse uma quentinha. Mas será que dez pratas dá? Será que ele sabe onde comprar? Será que ele só está colhendo o que plantou? Qual seria o real motivo dele estar nessa situação? Eu sei que eu só tinha 20 reais inteiro pra dar pra ele e a nota inteira ia me fazer falta. Pensei em trocar o dinheiro. Mas onde? 


E aí que o óbvio te atinge como um soco na cara. Eu posso só me sentir mal com aquilo, posso reclamar da situação com outra pessoa culpando alguém, posso dar dinheiro pra mendigo nojento ou posso tentar fazer algo com certa eficácia paleativa. Decidi então procurar uma padaria e comprar um lanche para ele. Mesmo sabendo que ele pode ser um maluco que iria tacar o lanche na minha cara, trocar o lanche por drogas ou simplesmente jogar fora. 


Não achei padaria. Mas achei um sacolão. Decidi comprar algumas bananas. Porque banana faz bem, né.. Todo mundo come banana. Tem coisa na banana que cura até depressão. Devo ter comprado umas 5 bananas. E ainda ajudei um pai de família a se sustentar ao comprar do negócio de quintal dele. Paguei R$3,50. Guarde esse número: três e cinquenta. 


Só não falo que segui com as bananas na mão porque eu fiz quinta série também. Segui com as bananas no saco. Não, pera.. Calma.. Isso é um texto sério...


Enfim.. O senhor ainda estava lá quando voltei. Exatamente na mesma situação. Minha impressão era que ele tentava se levantar mas não tinha força. Cheguei perto e dei bom dia. 


- Bom dia senhor, o senhor aceitaria algumas bananas? 

Ele me olhou por trás dos óculos de armações grossas e disse:

- Opa.. Uma moça disse que ia voltar aqui e me dar alguma coisa já.. Porque ela me viu comendo do lixo. 

- Sim, eu também vi. O senhor aceita banana? Disse eu colocando o saco de bananas aberto na frente dele. 

- Eu vou pegar uma só. 

- Não. É tudo pra você. 

- Ué, mas você não vai querer as outras? Vai me dar tudo?

- Claro. (quando disse isso, eu estava pensando no fato de nunca ter passado fome e na certeza de que eu iria ter todas as minhas refeições por pelo menos duas semanas)


E aí eu saí e disse pra ele: Guarda um pouco pra depois. Fiz dois sinais de positivo pra ele e entrei no carro. Não vi ele comendo e nem sei se ele me entendeu. E tinha um jovem olhando pra todo esse ato, sem dizer uma palavra. 


E fui embora. Pensando em como que pode uma pessoa chegar ao nível de comer resto do lixo ao invés de pedir ajuda. Talvez ele tenha os motivos dele pra não pedir ajuda. Como pode uma pessoa carregando uma sacola ver aquela cena e simplesmente colocar a culpa no governo e só pedir que Deus resolva. Talvez ele tenha os motivos dele. Eu sei que toda essa situação me fez lembrar que R$ 3,50 pra mim não é nada, mas que para aquele senhor que estava sujo, de cócoras comendo lixo era a chance de se alimentar. Três e cinquenta. TRÊS E CINQUENTA. R$ 3,50 faz essa diferença na vida de um ser humano. 


E eu então cheguei à conclusão que o que é importante não tem preço. Tem valor.