terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Destino


Sempre sozinho.
Sem ninguém do lado.
Será esse o tal fardo?

Sigo meu caminho.
Às vezes acabado.
Sem saber pra onde estou direcionado.

Uso esse pergaminho.
É o meu trato selado.
Não seria tudo manipulado?

E então eu caminho.
Sigo bem calmo.
Como se alguém tivesse falado.

Mesmo com todo carinho.
Sigo sozinho.
Sem me importar com o ninho.

Tento conversar.
Mas quem iria aguentar?
A voz que acumula sem cessar.

Então eu tento relaxar.
Quem sabe eu vou achar.
Alguma coisa que um dia vou amar.

E minha busca não vai parar.
Até um dia eu descansar.
E poder enfim, amar.

É tão dificil se controlar.
Ter em o que acreditar.
Espero um dia poder confiar.

E então eu poderei amar e confiar, não ter com o que me preocupar, procurando carinho no caminho que estou sozinho.

sábado, 22 de outubro de 2016

Abril

Nada mais.
Hoje você não é nada mais.
Não importa o que faz
e nem o que já fez.

Talvez no próximo mês,
quem sabe algum dia,
seja diferente
e a gente possa se entender.

Mas acho difícil.
Já que ter
o que era antes
é impossível

Tudo acabou.
O amor secou,
já não éramos tão interessantes
e já não somos mais amantes.
Infelizmente.

Ainda temos muito pela frente
Mesmo assim,
não deixa de ser triste
não saber se quero que você fique
ou que vá para longe de mim.
Onde você está agora. (?)

Mais triste ainda é ver
que tudo foi jogado fora






sábado, 14 de maio de 2016

Sobre a vida

Em uma época da minha vida na qual eu estava buscando mais auto-conhecimento, reflexão, crescimento espiritual  e uma certa iluminação, eu tive a oportunidade de ouvir um conto pela voz de um estudioso do assunto. Digo um estudioso do budismo em suas diversas vertentes. Ele me contou uma história que desde então me acompanha e que eu espero nunca mais esquecer. O conto era mais ou menos assim:

Certo dia, um monge estava em sua caminhada quando encontrou um jovem que fez questão de conhece-lo. O tal jovem disse ao monge que gostaria de saber mais sobre a verdade da vida e que queria acompanha-lo em sua caminhada para absorver seu conhecimento. O monge aceitou a companhia do jovem e disse que ficaria feliz em ensina-lo tudo que sabia. Mas que antes, precisava beber um copo d'água. 

O jovem andou em direção à sua casa para buscar o copo d'água mas no caminho, viu pela primeira vez, a menina mais bela que já tinha visto e apaixonou-se. Uma paixão que não podia ser contida e para sua sorte, a menina também se apaixonou por ele e eles decidiram se casar. O jovem trabalhou para conseguir sua terra e o sustento, tanto próprio quanto o de sua esposa. Saiu da casa dos pais e agora estava construindo sua própria família. Os dois eram muito felizes e um completava o outro. Tiveram filhos, três. E o já agora homem, se sentia realizado com sua amada e seus filhos. 

Porém um dia, uma grande tempestade apareceu e consequentemente, uma inundação devastadora. A chuva forte destruiu sua plantação, trabalho de um ano inteiro. E antes que ele se recuperasse do infortúnio ou se preparasse para algo pior, a enchente destruiu sua casa e levou embora sua outra metade e seus filhos que tanto amava. Ele tinha perdido o trabalho de uma vida inteira e as pessoas que mais amava. Era o homem mais miserável do mundo nesse momento e não tinha mais força para nada, a não ser chorar sua imensa dor. 

Foi nesse momento, sentado em frente aos destroços de sua antiga casa, que um velho sentou ao seu lado e tocou em seu ombro, chamando sua atenção. Ele, abalado pela situação, não deu atenção ao velho e tentou afasta-lo. Como o velho insistia em querer falar com ele, ele decidiu perguntar o que ele queria. O velho então perguntou onde estava o copo d'água dele que ele estava esperando ali por anos. O então desafortunado teve um choque e se lembrou daquela época que estava em busca de sua iluminação e que tinha deixado o monge de lado e esquecido completamente dele. Buscando entender por que tamanha desgraça tinha acontecido com ele, perguntou ao sábio se ele merecia aquilo. 

Então o monge explicou que aquela era a verdade sobre a vida no mundo material. Ela te traz coisas boas, você luta a vida inteira por conquistas, mas no final das contas, ela leva tudo embora de volta.