sábado, 11 de janeiro de 2025

Despedida

Todo um mundo diferente 

da gente.

Pertinente.

A sensação de ser inconsequente. 

O dente dormente

te atrai.

Sua humanidade se esvai

e sua vontade te trai. 

Te leva embora 

e te joga fora. 

A cada hora

que passa

o dano amassa

tudo que você podia ser

e sem perceber 

você não mais é. 

Sem mais nenhuma fé

em nada. 

Sem chance de recuperação.

Não importa nenhuma ação. 

A sua mão 

não consegue nem mais escrever. 

Quando você vai perceber?

Escolhas da vida. 

Viver na ferida. 

Ferida sem volta

da ida. 

Me despeço

e peço

que me deixem 

descansar em paz. 

Aqui jaz

a sua perturbação. 

A minha mão 

traz a ação

de um pedido de desculpas.

E são muitas.

Por tudo que causei.

O que eu nem mais sei. 

Continuo perdendo tempo

Jogando minha vida no vento. 

Mas não sei como parar.

Preciso me afastar. 

Para não incomodar. 

Tenho que carregar

o peso

de ser sempre o mesmo. 

Que vai te perturbar.

Você é capaz de me perdoar?

Se não quiser, 

tudo bem,

eu entendo.

Sem mais nenhum adendo.

Vou dormir e fingir

que está tudo bem.

Amanhã outro dia vem

e eu vou tentar novamente.

E a gente vai conseguir

ir dormir

bem e tranquilo.

Até o próximo tiro. 

São tantas questões.

Tantas lições

não aprendidas. 

Que se repetem todos os dias. 

Aumentando as feridas. 

A dúvida e a certeza 

estão claras,

em cima da mesa. 

Peço misericórdia comigo 

e empatia com meu comportamento aflito.

E perdão por tudo que estou largando de mão.