Hey, senhor pastor!
Vem ver a minha dor
que nasce ao invés de flor
aqui mesmo no meu jardim.
Nasci sem sorte
me resta a morte
pelas mãos que tem o porte.
O estado quer meu fim.
Não rendo dinheiro.
Não sou inteiro.
Não sou coveiro.
Sou real do brasileiro.
Quero viver bem
e ir além
do que te convém
seu filho da puta.
Mas o poder
me faz conter
tudo que posso ser
escolheram eu morrer.
Um mártir
para a revolução
poder vencer
viva a aniquilância
E toda a lambança
com morte de criança.
Senhor pastor
aprecie o horror
largue o seu pudor
e vem ver a verdade.
Vem ver nossa
falta de esperança.
Vem ouvir os tiros.
De perto.
Vem decidir quem tá certo.
Eu quero crer
que quando eu crescer
vou ser igual você.
Um vencedor.
Um influenciador
que em nome do senhor
posso por
um imbecil por motivo vil
no poder.
E só então poderei ser
não um falido
mas um bem sucedido
ladrão.
Um filho da puta
que tira da minha mão
para então
meu neto ser embebido
de desorientação.
Hey, pastor!