Para Borges, existe a possibilidade de todos nós sermos personagens de um grande livro e é possível que a vida não passe de uma grande ilusão na qual o grande escritor está nos escrevendo, reescrevendo e até nos apagando. Levando a idéia no sentido literal da coisa.
Para qualquer pessoa que procura um sentido na vida e tenta se segurar na realidade, a literatura de Borges só atrapalha.
André: mas nessa parte do texto, ele não tava falando sério. Não é possível que ele seja tão louco ao ponto de achar que isso seja real.
Flávia: mas André, o que é real? Quem garante que isso não é um sonho?
André: ...
Vejamos algumas definições de real:
real
(latim medieval realis, -e, de res, rei, coisa)
1. Que existe de facto. = efectivo!efetivo, verdadeiro ≠ imaginário, irreal
2. Que tem existência física, palpável. = concreto ≠ abstracto!abstrato
3. Que é relativo a factos ou acontecimentos. = factual
4. Que contém a verdade. = genuíno, verdadeiro ≠ artificial, falso, ilusório
7. Aquilo que é real. = realidade
Tomemos como verdade a 2ª definição, mas com um porém, não é necessário ser palpável para ser real, abstrações como o amor e o ódio também são reais.
Tudo que podemos ver, tocar e sentir é real dentro da realidade que estamos vivendo.
Tomemos como realidade o sonho, por exemplo:
Se você agora está dentro de um sonho, você pode ver, sentir e até mesmo tocar objetos.
Tudo isso é real dentro da realidade do sonho. Quando você acorda, você entra em outra realidade e o que você viu dentro do sonho passa a ser irreal.
Trazendo de volta a questão da professora Flávia.
Se a nossa vida for um sonho ou um livro, não quer dizer que não seja real para nós.
Sendo sonho, só passará a ser irreal quando acordarmos.
Se for um livro, só é irreal para o autor e para quem vive na mesma realidade que ele. Para os personagens do livro, a estória é real.
Mesmo que nossa vida seja um livro ou um sonho, tudo é real enquanto dura.
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